Conferência da Tendência Sindical Socialista

Muito curiosa a cobertura que a edição, de hoje, do Público dá à reunião, de ontem, da Tendência Sindical Socialista, uma página completa.

Com o titulo " Seguro faz do Orçamento "teste" ao empenho de Passos no "consenso" " o jornalista do Público descreve, em tom de aviso ao Poder, o que lá passou e descreve bem. Cita-se alguns excertos, logo que o artigo esteja em forma editável será publicado.

No seu discurso final António José Seguro exigiu que: "O Governo tem de dizer com clareza sim ou não" referindo-se à Concertação Social. O "desafio" para o consenso foi, no entanto, um discurso que ficou longe do tom que dominou o encontro.

Entre os Sindicalistas, a combatividade suplantava o espírito de consenso. E foi o SG da UGT, Carlos Silva, que "abriu as hostilidades". Saudou a presença de Sindicalistas da UGT e da CGTP na sala como o "primeiro passo" do "sobressalto cívico" exigido pelo ex-PR, Jorge Sampaio queria os Sindicatos e não só "na rua". Talvez hoje, seja esse primeiro passo, o próximo dia 21 será outro, gritou por cima dos aplausos, sobre a segunda iniciativa de Mário Soares na Aula Magna.
"Temos de ter a vontade de não ficar mudos e quedos" afirmou, depois de referir o clima de medo instalado em Portugal.

E a tarde seguiu com intervenções duras. Francisco Fortunato questionou se se podia "fazer concertação social com estes delinquentes", para depois dar a sua opinião. "A única coisa que este governo tem de fazer é pedir a demissão e convocar eleições antecipadas" o que temos de pensar é como pomos esta gente a andar, o resto é choradinho", defendeu o sindicalista antes da sala irromper em aplausos.

Horas, mais tarde, quando Seguro estava já na sala, o também sindicalista Manuel Martins faria a pergunta: "Como é que os vamos tirar de lá?" Ninguém respondeu, e assim Martins deixou um recado a Seguro. "Vai ser o nosso próximo primeiro ministro. Espero que revogue grande parte das malfeitorias que esta gente tem feito aos portugueses."

Pelo meio, denunciava-se essas malfeitorias. As reacções exaltadas tiveram ainda como alvo João César das Neves devido à entrevista ao DN/TSF. Carlos Trindade, chamou-lhe "refinadíssimo reaccionário". Carlos Silva rematou ao asseverar que o discurso do economista "podia caber perfeitamente no Estado Novo".

O remate final do tom "assertivo" da conferencia, como classificou o líder da UGT, foi mesmo dado por Carlos Silva. Na sua ultima intervenção, foi buscar a lição da História da Alemanha de 1933. Lembrando a ditadura de Adolf Hitler e a forma como este destruíra as liberdades. "O primeiro ataque que fez foi aos Sindicalistas, assassinou todos os lideres dos sindicatos", recordou, depois de garantir aos que falavam "mal" dos sindicatos que iam mesmo "ter de gramar" com as centrais.
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