A EMEF na encruzilhada

A EMEF não recuperou de um processo de privatização falhado em que a vertente renovação dos recursos humanos foi completamente posto de lado, para que os novos donos a resolvessem, mas como a privatização acabou por falhar o problema rebentou nas mãos dos que o tentaram passar aos privados.

Enquanto decorria o processo de privatização, a EMEF também digeria o contrato ruinoso de manutenção do material circulante da Metro do Porto, em que foi utilizada, pelo então secretário de estado, para fazer baixar o preço da manutenção para valores considerados interessantes para operadores privados, mesmo que, à custa de prejuízos da Empresa de capitais públicos. Tudo isto feito com a participação activa da então presidente da empresa e não só.

Desde aí, sem ter verdadeiramente uma administração, a Empresa é gerida com um cutelo no pescoço, ou seja, por um lado falta de recursos humanos qualificados, por outro, excesso de trabalhadores que nada acrescentam e há muito desesperam pela saída da empresa com que durante anos os tentaram convencer a aceitar.

Preocupados sobretudo em apresentar resultados positivos, para que a sua imagem não deixe de "brilhar" na comunicação social e os recortes diários de sucesso possam sair, os Responsáveis da Empresa, decidiram não deixar sair ninguém, "poupando" assim nas indemnizações que não pagam no presente, mas que a Empresa no futuro, mais tarde ou mais cedo, acabará por pagar, e começaram a utilizar o "trabalho temporário" para resolver situações dramáticas de falta de pessoal qualificado.

Tudo prejuízo! Não é com "trabalho temporário" que se resolvem problemas estruturais de falta de mão de obra qualificada, nem sequer é adiando a saída de trabalhadores, por causa dos valores das indemnizações, continuando, no entanto, a pagar salários para nada, a que acrescerá sempre indemnizações no futuro pelos valores que hoje não quer pagar, para permitir alguns "brilharetes" de imagem.

Situação que será ainda mais dramática para a EMEF se, e como já foi anunciado ser intenção, e bem, do governo, as longas carreiras contributivas para a segurança social permitirem que ao fim de 45 anos de contribuições efectivas, os trabalhadores, possam reformar-se independentemente da sua idade.

Tal medida beneficiará, certamente, algumas dezenas de trabalhadores na Empresa, alguns deles, fundamentais pelos conhecimentos que têm e que provavelmente acabarão por não ter a possibilidade de os transmitir a outros, por falta de outros...

Não se pode manter mais o silêncio! O Sindefer compreende o medo que muitos têm em falar e dar um muro na mesa, necessitam do emprego e sofrem em silêncio. Mas com medo não se garante emprego nenhum, pelo contrário.
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