Um "populista" na CP

Todos sabemos que o CDS também se chama Partido Popular, por isso, o Presidente da CP, é naturalmente um "populista".

O Sr. Presidente trabalha muito bem os números do "sucesso" da recuperação de passageiros, que caíram estrondosamente, exactamente, por culpa da politica do governo que o nomeou (governo do PSD/PPD e CDS/PP).

Politica que sempre executou, embora para ganhar apoios, entre os sindicatos, deixava cair, para a comunicação social, que era contra essa politica do governo. Executava mas era contra e, nas reuniões internas, também dizia que era contra. Um homem "amargurado" por executar o que era contra.

Ponto alto da contradição, entre executar e ser contra, foi a privatização da CP Carga e da EMEF. Era, mais uma vez, contra, mas o governo mandou e cumpriu.

A estratégia não mudou com o novo governo PS. Leia-se as declarações prestadas, a propósito dos passageiros transportados em 2016:

O presidente da CP, Manuel Queiró, considerou que "estes resultados, que são fruto do trabalho de uma vasta equipa CP, vêm premiar a aposta da empresa no reforço da oferta e na dinâmica comercial”, salientando também “a necessidade de investir no aumento do número de comboios, apostando, em simultâneo, numa melhoria do conforto, da pontualidade e na redução dos tempos de viagem”.

O presidente da CP sabe que tal só é passível de acontecer com grandes investimentos. Ora o presidente da CP sabe que esses investimentos não estão programados e, assim, mais uma vez, vai executar a política do governo, ressalvando, no entanto, que é necessário "investir no aumento do número de comboios, apostando, em simultâneo, numa melhoria do conforto, da pontualidade e na redução dos tempos de viagem", ou seja, nunca o "apanham" de acordo com o que executa.

Os governos obrigam-no a fazer uma coisa, mas ele está sempre a desejar outra, obviamente, bem melhor. O "sucesso" de agradar está sempre garantido.

Vai, então, uma apostinha, que entre o garantir uma EMEF autónoma, como polo da Indústria Ferroviária Nacional, e a sua eventual integração na CP, esta (a CP) já decidiu a integração! O apoio sindical que lhe falta, o SNTSF, estará assim garantido, mesmo que à custa do desaparecimento do único polo industrial no País.

Não nos admirará nada, no futuro próximo, ver o regresso da Bombardier à MdP e a privada Medway ir à procura de congéneres...

O jovem ministro quando perceber terá um sarilho de todo o tamanho na mão. O populismo paga-se muito caro.

Passageiros transportados
2009 - 131 milhões de passageiros (Cardoso dos Reis)
2010 - 130 milhões de passageiros (José Benoliel)
2011 - 126 milhões de passageiros (José Benoliel)
2012 - 111 milhões de passageiros (José Benoliel)
2013 - 107 milhões de passageiros (Manuel Queiró)
2014 - 109 milhões de passageiros (Manuel Queiró)
2015 - 112 milhões de passageiros (Manuel Queiró)
2016 - 115 milhões de passageiros (Manuel Queiró)
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