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Carta sobre o jantar com o Dr. António Ramalho

e-mail recebido de um convidado "arrependido".

Caros colegas,

Escrevo-vos este mail porque em consciência o devo fazer.
Fui convidado para participar num jantar, na passada quarta feira, com o nosso ex-presidente, que alguns ainda chamam como “o chefe”, Dr. António Ramalho.

Hesitei em responder favoravelmente ao convite, mas mais uma vez, como muitos outros,colegas dirigentes e membros do CA, não resisti ao perfume e à sedução de ter sido um dos escolhidos para participar neste evento.

Como sempre, foi um evento simpático, muita amizade, muito convívio, mas ... com o decorrer do jantar ficou claro que tudo continua a obedecer, com muita mestria, à gestão dos interesses externos à empresa e à manipulação.
Ficou evidente, para quem assistiu, que apesar do convívio ser o motivo declarado do jantar, o verdadeiro objetivo era passar a mensagem e motivar os presentes para a defesa do seu projeto, nomeadamente da fusão entre empresas.
Foi nesta circunstância que me apercebi do erro em que incorri.

Os ataques à atual administração, à sua incapacidade, ao desnorte que demonstra, à mediocridade na sua atuação e na sua capacidade de concretização e sobretudo à falta de liderança,foram ataques ao nosso trabalho, ao trabalho de todos os trabalhadores,que como sempre, indiferentes aos ciclos políticos e às mudanças de liderança, acreditamos nas nossas empresas e na sua missão de serviço público.
Para mim, ficou claro que cada sonora gargalhada, sobre o falhanço do trabalho da atual liderança,são também gargalhadas sobre todos nós e sobre o nosso trabalho. Não gostei de ter participado nesta encenação, não gostei de ser usado, não gostei de ser mais uma vez manipulado mas sobretudo não gostei de participar num jantar em que a principal atração era o insucesso da empresa onde trabalho.

Ficou claro que os desejos expressos de falhanço da liderança, de falhanço do programa de investimentos, de incumprimento de objetivos e de manutenção da situação atual “melhor do que istosó a nomeação do atual Vice Presidente como Presidente “,o foram numa lógica inaceitável de quanto pior melhor.

Por isso, quero transmitir a todos que o jantar, que supostamente devia ficar apenas no conhecimento de alguns, deve ser do conhecimento de todos.
Para isso decidi escrever este mail.

De facto, António Ramalho não satisfeito com aquilo que fez a duas empresas com culturas muito próprias ainda pretende continuar a interferir nos nossos destinos,
Não satisfeito com a forma como nos usou durante anos para atingir os seus objetivos e não os objetivos das nossas empresas ou do país ainda nos pretende continuar a usar e manipular.

Não satisfeito com uma fusão de empresas que a cada dia que passa demonstra ter sido um erro ainda pretende influenciar a nossa avaliação e motivar-nos para a defender.

Não satisfeito com a burocracia que criou,transformando empresas com agilidade e capacidade de execução em empresas estáticas sem nenhuma capacidade de concretização pretende imputar culpas do falhanço do modelo a terceiros.

Não satisfeito com os privilégios que distribuiu a alguns em troco do muito o que retirou à maioria, pretende que os beneficiados continuem a trabalhar para uma agenda escondida.

Não satisfeito em ter transformado empresas reconhecidas pelas suas capacidades de concretizar e executar projetos em empresas que sucessivamente anunciam o que nunca concretizam,pretende condicionar o nosso comportamento.

Claro que este comportamento, com o apoio dos seus ex-colegas de administração e atuais membros do Conselho de Administração presentes no jantar, foram a prova dos nove que precisava para me libertar da amarra que me prendeu a esta forma narcísica de estar.

Não quero mais pactuar com este estado de coisas.
Acredito que outros que estiveram presentes no jantar sentem o mesmo que eu, outros provaram de um veneno que nunca irão conseguir renegar, isso pouco interessa, o que é relevante é que a grande maioria luta diariamente pela defesa da empresa, por um serviço público de qualidade e de referência servindo a diversidade de administrações e de Presidentes do Conselho com profissionalismo e lealdade.

O profissionalismo e a lealdade que dedicámos a todos os Presidentes do Conselho de Administração é igual, é independentemente da filiação partidária e da política adoptada em cada momento. Pretender que sejamos porta voz de uma ideia de projeto para as nossas empresas ou mesmo que não nos entreguemos de alma e coração ao que a empresa necessita para vencer é uma afronta à nossa dignidade e ao nosso profissionalismo.

A tentativa de interferência ilegítima do Dr. António Ramalho nos atuais destinos da empresa, a subordinação de alguns dos atuais dirigentes à anterior administração liderada por si e a interesses estranhos às nossas empresas, a hipocrisia e desfaçatez de alguns elementos do atual CA que simultaneamente servem o atual Presidente e participam ativamente num jantar onde as palavras mais ouvidas são de total gozo pela incapacidade da gestão atual, da qual fazem parte, explica muito sobre o caminho que percorremos nos últimos tempos e as razões para a incapacidade e desmotivação sentida por todos nós.

Queremos as nossas empresas de volta.
Queremos servir de forma leal e profissional como sempre o fizemos.
Queremos ter orgulho no nosso trabalho.
Queremos voltar a vestir as camisolas das nossas empresas.

Um colega vosso que precisava de desabafar e de se libertar.
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