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EMEF/ O outro lado da newsletter


A newsletter da Emef quer fazer crer que o que está a acontecer, na Empresa, resulta de imposições da Lei. Uma meia verdade, muito conveniente para a Administração. Como chegámos aqui?

O plano de liquidação da EMEF começou, em 2013, quando a Empresa deixou de ter administração autónoma, passou a ser “gerida” por um Diretor-geral sem qualquer autonomia e dois Diretores Coordenadores, vindos da CP, onde estavam encostados, e sem outro poder que não o que “roubaram” aos Diretores, que passaram a simples mandantes.

Entrando em modo “oficina” da CP, a EMEF, teve o primeiro embate negativo para a sua existência futura, quando foi utilizada por Sérgio Monteiro, na estratégia de baixar custos na MdP, que levou a Bombardier a queixar-se, em Bruxelas, acusando a CP de financiar a EMEF de forma ilegal. Como chegou a Bombardier a esta conclusão: o preço que, a EMEF, foi obrigada a aceitar, para fazer a manutenção da MdP, estava abaixo do custo da operação!!!

Na sequência desta utilização da EMEF, pelo governo da Direita e da Troika, a então presidente sai, da Empresa e do Sector, com uma choruda indeminização, paga pela CP, e é nomeada para a Autoridade dos Transportes com um vencimento superior a 13.000€ mensais. Por outro lado, começava o calvário da EMEF, com a queixa em Bruxelas, que ameaçava a sua existência.

Então, Sérgio Monteiro, decide a privatização da Empresa e, a CP, de Manuel Queiró, para o ajudar, decide que quem ficar com a EMEF, fica com contratos de 10 anos de manutenção do seu material circulante. O TdC dá com a marosca e diz que Não!

A privatização fica em perigo, porque com a queixa, em Bruxelas, e com a posição do TdC, os interessados deixam de o estar. A CP face à posição do TdC, que obrigava ou a concurso público, ou, a EMEF, ter a CP como seu único Cliente, só 20% das receitas poderiam vir de fora da CP, opta por liquidar a EMEF, enquanto empresa autónoma. É o famoso regresso à CP que, alguns, tanto ambicionavam.

Mantendo-se o estrangulamento da empresa, no recrutamento de mão de obra especializada (Quadros e Operários), a EMEF, continuou a definhar com a administração de Manuel Queiró, então seu presidente, substituindo, Cristina Dias.

Com défice de trabalhadores, a EMEF, vai piorando, dia após dia, e o governo da Geringonça, que mantive e mantém a estratégia de estrangulamento da Empresa, passando apenas a presidência para Abrantes Machado, que assume assim o papel de continuador da liquidação da Empresa, só acentuou a crise.

Só que a liquidação da EMEF, equivale à liquidação da CP, sem comboios não há CP, mas ninguém se preocupou muito, enquanto os comboios ainda não faltavam. Queiró era louvado e, após a sua saída, o agente único, passou a preocupação principal da CP. Dá bem a ideia do desconhecimento geral, na CP, da importância da EMEF. Não nos surpreende, a ignorância é atrevida e agora quem paga são os utentes que não têm os comboios que necessitam e no futuro próximo ainda será pior. Têm um presidente na CP que, obviamente, com falta de conhecimento, anuncia que vai mandar reparar os comboios lá fora, o que só pode fazer sorrir.

O desmantelamento da EMEF é a consequência de tudo isto e não porque a Lei nos é madrasta. O PS, e o seu governo, não quis cortar com o passado assumiu-o, agora, é o principal responsável de tudo o que está a acontecer. Abrantes Machado já tem um lugar garantido na história da EMEF, não será é muito honroso! Estamos, aliás, convencidos que Cristina Dias e Manuel Queiró muito lhe agradecem o favor que lhes fez ao relegá-los desse lugar para o qual tanto contribuíram!

Alguns até poderão dizer que estamos a ser injustos, a esses respondemos que: quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Qual a solução para tudo isto? Falar verdade e assumir que tudo ainda vai piorar, como resultados de erros e mais erros das administrações e governos, desde 2013 para cá, e assumir uma Agenda de Salvação do Sector Público Ferroviário, que deverá ser conhecida e aceite por todas as partes, não envolvendo a Contratação Colectiva, essa é autónoma. Parem de esconder, parem de mentir!

Como escreve Marco Capitão no Expresso
"Devemos dizer às pessoas, com frontalidade, que a situação do transporte ferroviário ainda vai piorar antes de melhorar. Os portugueses são grandinhos. Percebem. O que não podemos fazer é gerir a espuma dos dias e continuar a adiar soluções."

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