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Governo reconhece os problemas da CP e mostra-se..

Governo reconhece os problemas da CP e mostra-se empenhado em resolver

Estive a ler (link abaixo) as declarações do ministro, em Marco de Canaveses, e juro que fiquei com a impressão de que, por sua vez, ele andou a ler o que escrevi no FB, ou, no sitio do Sindefer. No entanto há declarações do ministro que andam ao lado da verdade e até são algo perigosas para o próprio governo, senão vejamos:

Ministro - Vão ser contratados 102 trabalhadores (e não 50, como inicialmente previsto) para a EMEF e vai ser alugado material circulante a Espanha para evitar, a curto prazo, a degradação do serviço ferroviário.

Os 50 trabalhadores era uma invenção do Tesouro, que decide apenas sobre critérios deles (a folhinha de excel) independentemente do que lhe é pedido. 120 trabalhadores era o mínimo admissível, porque, este ano, já saíram para a reforma 64 trabalhadores que não estavam contabilizados para esta necessidade, assim sendo os 102 embora importantes andam abaixo das necessidades prementes.

Diz ainda que vão ser alugados a Espanha material circulante para evitar, a curto prazo, a degradação do serviço ferroviário. Ora isto bate ao lado da verdade, porque já não evita a degradação do serviço ferroviário, apenas a vai minorar daqui a meses, numa primeira fase nem sequer isso.

Explicando melhor porque é que isto acontece:

A admissão de pessoal só produz efeitos em termos de conhecimento daqui a um ano, até lá é sempre a aprender, sobretudo, porque ainda vão sair muitos trabalhadores para a Reforma, precisamente os que têm mais conhecimento. A necessidade urgente é de pessoal qualificado, que o mercado de trabalho não tem em quantidade, sendo que o critério de entrada, na EMEF, é pelo índice de remuneração inicial na carreira, que já não é actualizado desde 2009 e que se situa na casa dos 700€, demasiado baixo para atrair trabalhadores qualificados que não abundam como já referi. Além do mais, na EMEF, em certas áreas, é tudo "by the book", ninguém arrisca um milímetro. Não sei se me faço entender...

O aluguer de material a Espanha tem fases de homologação que demoram algum tempo, nunca menos de seis meses, para além da feitura do contrato em que os Espanhóis têm a faca e o queijo na mão e nestas coisas não há amizades. Tens necessidades prementes pagas por elas e pagas bem! Como fui Director de Logística da EMEF, durante 8 anos, sei bem do que estou a falar.

Ora, como constatam, nada disto vai melhorar de seguida, vai piorar e muito, antes de começar a melhorar, lá para meados do próximo ano, e para que isso aconteça, ainda precisam de encontrar quem possa fazer manutenção em complemento da da EMEF, há algumas soluções, não muitas. Por outro lado, seria razoável aliviar a EMEF de cumprir, nesta fase de emergência o CCP, e cortar comboios nos horários evitando a sobre utilização dos mesmos, porque mais vale ter horários verdadeiros de que horários de comboios suprimidos.

Nota final
O governo tem perto de três anos, estas decisões, ontem autorizadas, estavam devidamente identificadas desde meados de 2016, houve até um Director Geral que se demitiu, porque percebeu que nada iam fazer!!! Eu também me reformei porque não estava para aturar esta gente, depois de imensas chamadas de atenção para os problemas.

Está tudo registado, quer as recomendações do Director Geral, quer as minhas, por isso, tenho toda a legitimidade e credibilidade para poder escrever o que ando a escrever, com a raiva de alguns, e, porque sou responsável, não escrevo tudo o que sei, mas, obviamente, não posso perdoar a incompetência e o silêncio cúmplice.
Também não percebo o que o ministro andou a fazer durante este tempo todo!

Ler declarações aqui

Francisco Fortunato
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