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A noticia do Público e os interesses instalados

Aqui está uma noticia, aparentemente, bem feita, mas claramente a pedido de vários interesses que significam milhões de €.

Conheço bem o jornalista que faz a noticia do Publico, sei quais as estratégias que usa e facilmente lhe identifico as fontes. Este artigo, com chamada de primeira página, só tem um verdadeiro interesse pressionar o governo a comprar/alugar comboios novos.

Só para vossa informação cada um dos principais fabricantes de comboios tem, neste momento, em Portugal, ex- Quadros Superiores do Sector como seus Consultores, a maioria reformados. Também fui sondado, não aceitei, ética republicana, como por aí se diz.

Como já o escrevi, a crise que está instalada na CP não deriva da falta de comboios novos, mas sim de insuficiente capacidade de resposta da EMEF para fazer a manutenção do material circulante, por falta de mão de obra e não só.

O processo de privatização da EMEF, nos tempos da administração Queiró (o tal Presidente que já tinha o dossier de compra de novos comboios todo feito, como se lê na noticia) foi completamente desastroso para a Empresa. O principio do fim da EMEF começou aí em complemento da Queixa, em Bruxelas, da Bombardier, também nos tempos da administração Queiró.

Como podem constatar todo o artigo é canalizado para a necessidade de compra de comboios novos, embora cite o atraso na manutenção da frota. Ora é precisamente o contrário. O grave, o que nos levou à crise, que vai continuar, foi, é a falta de capacidade instalada, mão de obra, para fazer a manutenção da frota, o que nos leva a pensar numa outra coisa.

O estrangulamento na mão de obra da EMEF não visava também acelerar o processo de compra de novos comboios no valor de várias dezenas de milhões de euros?

É que só, com este governo, verdadeiramente a CP/EMEF apresenta o dossier para a necessidade da admissão de novos trabalhadores e os primeiros dossiers estavam manifestamente incompletos, demasiado mal feitos, diga-se...

Outra meia verdade, bem propagada, é que a CP estava a transportar muitos mais passageiros. Ora tal é manipulação pura e simples dos números, que visa acima de tudo justificar compra de material novo! O que estava, e está a acontecer, é que a CP estava, está, a recuperar alguns dos milhões de passageiros perdidos nos tempos da troika, consequência do aumento vertiginoso do desemprego e do colossal aumento no preço dos bilhetes e dos passes.

Os números da Pordata para todo o transporte ferroviário, ou seja, inclui a Fertagus, assim o comprova.

Para não falar de uma outra coisa. A actual Linha do Norte tem capacidade para mais comboios rápidos de passageiros? São uns brincalhões!

Com tudo isto não quero dizer que não seja necessário comprar/alugar comboios novos mas é preciso separar a pressão dos fabricantes, e seus aliados, em vender material, dos verdadeiros interesses do País e, isso, passa por recuperar os comboios existentes, sem esses é que não podemos viver.

Francisco Fortunato

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