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Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia

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Isto vai dar o berro, já eles o diziam.

Como é que chegámos a este ponto?
Só para ajudar à compreensão do problema direi que:

A partir de 2011/2012, na sequência da entrada da troika, os responsáveis na CP, para ficarem bem vistos pelo então secretário de estado, o todo poderoso, Sérgio Monteiro, assumiram baixar brutalmente os custos de manutenção do material circulante e decidiram:

1.º Desactivar aos poucos e abater as UTD 600;
2.º Desactivar na totalidade as USD 350 e depois, face à falta de material circulante, ressuscitar 4 unidades, sendo que, só duas é que estariam sempre operacionais;
3.º Desactivar, vender, abater dezenas de carruagens, porque, segundo eles, o futuro eram os comboios feitos em material automotor e não os comboios com locomotiva e material rebocado;
4.º Desactivar duas unidades das UQE 3500, entretanto canibalizadas de alguns componentes;
5.º Desactivar seis unidades das 2400 e não acabar a modernização de algumas 2300, unidades que viriam a ter, também, problemas de canibalização de componentes;
6.º Manter Unidades inoperacionais na série 2240;

Enquanto, por outro lado, de forma completamente irresponsável, aumentavam a quilometragem do material circulante operacional, com manutenção cada vez mais light e espaçada no tempo, deslocando constantemente o material circulante para diversas zonas do país, sem preocupações de instalar primeiro conhecimento técnico e criar condições, nas instalações oficinas, para executar a manutenção devida e exigida pelos regulamentos.

Veja-se o escândalo de levar o comboio Pendular a Guimarães, quando o que se devia fazer era precisamente o contrário, encurtar a quilometragem percorrida de todas as Unidades, já que, devido ao atraso no inicio da modernização da série, os comboios necessitavam (necessitam) de uma manutenção preventiva mais cuidada e, tendo, começado a modernização, ficaram com uma unidade operacional a menos, ou seja, sem margem para reparar as avarias ocasionais, que são frequentes devido ao estado da frota. Tudo isto se agrava com as temperaturas extremas que se têm sentido nos últimos dias.

Quando as intervenções light, em si, já não chegavam, para disponibilizar material circulante, tornavam-se ainda mais light, um pouco à imagem da história do "burro do espanhol"...

E se, ao inicio de tudo isto, a EMEF, tinha mão de obra para fazer a manutenção contratualizada, as reparações não se fizeram, porque a CP não quis, a mando do governo de Passos Coelho, para poupar dinheiro na manutenção, foi, depois, perdendo capacidade de reparação por falta de mão de obra, assim como, de "know-how". Entrou-se na fase da necessidade de reparar, mas, a EMEF, já não tinha capacidade para o fazer.

Tudo isto se passou, em boa parte, com Manuel Queiró, do CDS, a timoneiro, mas com uma boa imprensa a seu favor, dava a ideia do contrário. No, entanto, em surdina ouvia-se que, levando ao extremo a oferta comercial, mais tarde ou mais cedo, o governo, teria que aceitar mandar comprar material circulante novo, ou, no mínimo, alugar mais comboios, senão, tudo isto daria o berro.

O que fez o PS quando chegou ao Poder?
Manteve tudo igual, incluindo a administração da CP, da EMEF e da IP. A administração da CP viu prolongado o seu mandato em mais 18 meses, até Junho de 2017.

E, assim, se chegou à situação de hoje, que nem sequer dá para os mínimos dos mínimos, seja no material circulante disponível, seja na mão de obra existente, seja no conhecimento, e, por sua vez, o light, ainda mais light, também já não é possível, sob pena de ser considerado acção criminosa.

Os Quadros que suportaram a ideia de desactivar material circulante, que tanta falta faz hoje, por lá andam, ninguém os chateia e até “indignados” também já protestam contra a situação. Quando não se tem vergonha, todo o mundo é seu!

O Governo e a CP vão ter que fazer uma espécie de serviços mínimos, ou seja, adaptar os horários à oferta de material circulante disponível, ao mesmo tempo, que deve estabelecer um planeamento credível de manutenção do material circulante que dê garantias de se poder aumentar a oferta sem se ter de andar a suprimir comboios a todo o momento. Nalgumas linhas a oferta deve ser pura e simplesmente suspensa.

Nota
Os comboios pendulares sempre tiveram problemas com o ar condicionado com temperaturas superiores a 35.º, mesmo os modernizados. Com temperaturas superiores a 40.º mandava o bom senso suprimir o comboio ou tomar medidas preventivas. Nada disso foi feito, só depois de casa roubada trancas à porta. Com a imagem da CP na rua da amargura convém que alguém ponha um mínimo de ordem na casa.

Francisco Fortunato
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