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Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia

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E o caminho-de-ferro. Que fazer?


Nos últimos anos saíram do sector milhares de trabalhadores e, naturalmente, com eles saiu um enorme conhecimento específico, que não foi possível transmitir a quem ficou. Esse conhecimento, à medida que o tempo passa deixará de ter utilidade mas, por enquanto ainda pode ser muito útil. Estou profundamente convencido que se o País quisesse, muitos dos técnicos e especialistas que saíram se disponibilizariam a dar colaboração, no sentido de ajudar a reorganizar o sector. Por vezes algumas pessoas esquecem que não são as organizações que detêm o conhecimento, mas sim as pessoas dessas organizações, ora se a pessoas saem, o conhecimento também sai.

Mas qual o modelo geral que deve ter o nosso caminho-de-ferro? Como já o referi noutros textos considero profundamente vantajoso para o País ter toda a actividade debaixo do mesmo “chapéu”, para que se ganhe dimensão e massa crítica no sector. Eu sei que há alguns condicionamentos que se colocam devido à regulamentação da UE, mas é para isso que há os políticos, para ajudarem a resolver as dificuldades, quando elas existem.

O sector precisa de voltar a ter capacidade de recrutar seleccionar e formar os efectivos que necessita e de requalificar os que tem. Precisa de readquirir a capacidade de fazer, internamente, a construção e manutenção das suas infra-estruturas de via, de catenária e de sinalização, admito que algumas em parcerias. Precisa, também, de ter capacidade de assegurar, internamente, a manutenção e revisão do seu material circulante. Precisa, enfim, de voltar a ser útil à Comunidade, respeitado e reconhecido por esta, e só o será ser for organizado como prestador integrado de um serviço de qualidade e não como actividade de negócios segmentados, particularmente nas deslocações das pessoas.

O modelo actual falhou (e não culpo este governo por isso. O processo como disse, começou há perto de trinta anos), e a soluções encontradas não resultaram. Para que fique claro, não estou a propor que se volte à antiga CP, não, a circunstância (como dizia Gasset) é outra, mas o País é o mesmo e precisa de ter claro que caminho-de-ferro quer ter e como o quer ter. Estou, como sempre estive na vida, disposto a ajudar o meu País.

10, de Setembro de 2018

Joaquim Polido

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