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Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia

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A negociata da cedência do comboio Presidencial

1. O comboio presidencial, do início do século XX, foi recuperado pela EMEF – Empresa de Manutenção de Equipamentos Ferroviários.

2. O restauro dos veículos afectos ao comboio presidencial constou de candidatura ao Programa Intervenção do Turismo submetida ao Turismo Portugal em Outubro 2009, bem como ao QREN. Tendo as referidas candidaturas sido aprovadas foi possível dar início ao restauro dos veículos.

3. O Restauro do Comboio Presidencial ascendeu a 1.536.070,94 Euros.

4. Em Novembro de 2015, a FMNF, então Presidida por Jaime Ramos, pertencente aos quadros do PSD, celebrou com a empresa Trajectórias e Melodias Lda. um protocolo de colaboração que passava por ceder àquela T&M, sem custos, o Comboio Presidencial para exploração.

5. A T & M tinha sido constituída em Junho de 2015, ou seja, menos de 6 meses antes da FMNF celebrar com ela aquele protocolo.
Tinha, à época, como gerente a mulher de Miguel Relvas e pertencia, a 50%, a uma empresa desta (MARCH STRATEGY LDA).

6. O outro sócio e gerente era Gonçalo Castel Branco, filho de Luísa Castel Branco, que à data ainda permanece como um dos sócios gerentes da T & M.

7. Em 2016, a T & M, enquanto promotor, organizou em Abril um Programa de 10 viagens no Comboio Presidencial ao Douro, denominado Programa Vila Joya no Douro.

8. A lotação era de 60 pessoas e o preço por pessoa começava nos 350€ por viagem.
As reservas, segundo refere o próprio MNF, esgotaram, pelo que a T & M terá auferido em termos de receita mais de 200.000,00 € por 10 dias/10 viagens, isto sem contabilizar todos os patrocínios.

9. E o que é que recebeu a Fundação do Museu Nacional Ferroviário?

10. Segundo consta do seu R&C de actividade de 2016, e citamos, “o Projecto Vila Joya no Douro, com o Comboio Presidencial, permitiu ao MNF estar presente em inúmeros meios de comunicação social nacionais e estrangeiros, o que teve forte impacto na visibilidade do museu.”

11. Ou seja, o museu passou a ter outras “vistas” e nem foi preciso ir no comboio presidencial para o Douro.

12. Mas ser empresário é sonhar e fazer acontecer.

13. Talvez por isso o Promotor e sócio da mulher de Miguel Relvas já dizia à imprensa em 2015 que “Quando soube que o comboio ainda estava capaz de andar, comecei a procurar uma forma de o recuperar".

14. Esqueceu-se foi de dizer que a recuperação não foi paga por ele mas por todos nós.

15. Assim, e enquanto os empresários da T&M viam o seu negócio florescer à custa da cedência gratuita do comboio presidencial, a fundação via os seus prejuízos a agravarem-se de forma exponencial.

16. Com efeito, em 2016 a Fundação registou um resultado líquido negativo de 316 mil euros, quando em 2015 tinha tido prejuízos de cerca de 19 mil euros.

17. Mas isto não se fica por aqui.
Como o negócio foi maravilhoso para a T&M, esta procurou repeti-lo em 2017.

18. Conforme é dito no R&C da FMNF de 2016, o operador privado propôs à FMNF nova parceria para 2017, tendo a empresa T&M apresentado como contrapartida a prestar à FMNF um Plano Estratégico de Marketing para o Museu, plano esse que o operador privado orçamentou em 123.750,00€.

19. Ou seja, o operador privado pretendeu continuar, e continuou, a usufruir gratuitamente do comboio presidencial em 2017 e em contrapartida propôs apresentar ao MNF um plano estratégico de marketing para promover o Museu, cujo teor se desconhece.

20. Em 18 de Janeiro de 2017 foi, então, assinado por Jaime Ramos e a T&M o acordo de cedência do Comboio presidencial que contemplava a cedência do comboio em troca de um Plano Estratégico de marketing feito pelo privado para o MNF avaliado em 123.750,00 €.

21. Em 16.08.2017 o acordo de cedência foi objecto de um aditamento.
O Plano de Estratégia de Marketing passou a ser avaliado em 125.000,00 mas foi acrescentado, do outro lado, trabalhos no comboio presidencial na ordem dos 40mil € por parte da EMEF.

22. Em 2017, o evento no Douro com o comboio presidencial promovido pela T&M cresceu em duração (passou de 10 dias para 20), distância percorrida e preço.

23. O preço por pessoa passou a começar nos 500 euros e as reservas voltaram a esgotar.
Não sabemos ao certo, à semelhança do que sucedeu em 2016, quanto é que a empresa T&M auferiu em 2017 com o Comboio presidencial.

24. E não sabemos pois esta empresa, em clara violação da lei, não deposita legalmente as suas contas mas segundo consta do próprio R&C da FMNF aquela “experiência” a bordo do comboio presidencial foi vivida por cerca de 1200 passageiros, o que perfaz cerca de 600.000,00 Euros.

25. Em 2017 a T&M viu serem-lhe concedidos cerca de 110.106,00 euros pelo Turismo de Portugal ao abrigo da Linha de apoio à valorização turística do interior.

26. Em 2017 a FMNF viu os seus prejuízos aumentarem, tendo estes ascendido a -430.967,47 Euros, o que compara com os – 316.213,75 registados em 2016.

27. Em 2018 a T&M continuou a explorar o Comboio presidencial e a levar a cabo o seu Programa de Viagens ao Douro, passando agora a operar o mesmo na Primavera e Outono (altura das vindimas), desconhecendo-se qualquer contrapartida paga à FMNF.

28. Em novembro de 2017 o então presidente da FNMF, Jaime Ramos, queixava-se que o Museu estava asfixiado financeiramente e que corria risco de fechar por falta de verbas.
Não se percebe porquê...
(fim)
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