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Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia

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Voltar ao passado para destruir o futuro

Sabemos que a decisão política de integrar a EMEF na CP está tomada. O ministro falou com os que, desde o dia em que a empresa nasceu (30/01/1993), há 26 anos, esperam e reclamam a reversão da medida.

Em minha opinião, o ministro, faz mal porque irá ficar na história, daqui a uns anos, como o homem que optou pelo passado, em nome de alguns apoios no presente, que julga importantes para, no futuro, poder ser líder do PS e 1.º ministro do país.

O sr. ministro não sabe de certeza que, a EMEF, que vai integrar a CP nada tem a ver com a Empresa que se constituiu, a partir da CP, em 1993.

A EMEF que se constituiu, ao sair da CP, tinha conhecimento, tinha muitos trabalhadores, tinha muitos materiais em stock, para dar e vender, tinha uma CP com excesso de material circulante, o que, desde logo, dava uma tranquilidade muito grande de não haver supressão de comboios por falta de material circulante. Teve ainda a facilidade de uma contratação colectiva liberta dos equilíbrios corporativos entre classes profissionais, estranguladores de qualquer flexibilidade, como acontecia e acontece na CP.

Esta EMEF permitiu ganhos de produtividade enormes e proporcionou à CP o redimensionamento da sua frota.
Ora a EMEF que a CP vai integrar, nada tem a ver, com a que durante 22/23 anos potencializou a CP! É precisamente o contrário. É uma EMEF em défice de conhecimento, com uma falta dramática de trabalhadores, sem capacidade de recrutamento, com material circulante à queima, com os materiais em stock estritamente necessários ou em falta, com uma hierarquia profundamente desacreditada, sem rumo, numa empresa em que se espera ansiosamente o dia da reforma. É esta EMEF que integra a CP.

Os defensores da medida dizem que se as oficinas integradas funcionam na SNCF, funcionam na DB, funcionam na RENFE, para falar das empresas ferroviárias mais importantes, também tem de funcionar cá. Estes querem apagar a história, a EMEF tem 26 anos!!! o que torna a nossa situação completamente diferente de outras empresas ferroviárias.

Não se pode extinguir mais de um quarto de século em que tudo mudou e voltarmos atrás como nada tivesse ocorrido. Sem ofensa, mas só totós, que ainda acreditam que o Pai Natal deixa as prendas na chaminé, podem acreditar que isto é possível!

A integração não resolve nenhum problema e acentua a crise. Deixa de haver a relação Cliente/Prestador de Serviço logo, de imediato, a produtividade baixa. A hierarquia, muito desautorizada, será incapaz de dirigir a mudança, porque os 26 anos da EMEF, passarão a um erro histórico, nem isso percebem.

O recrutamento, o maior problema, será ainda mais difícil, porque jamais, em tempo algum, um operário poderá ganhar mais que outra classe ligada às Carreiras Operacionais e de Condução. Assim, para além das dificuldades criadas pelas Finanças, porque a EMEF não tem qualquer autonomia e também não terá qualquer flexibilidade salarial, como, quando o quer, tem actualmente.

Ora, como facilmente se percebe, a integração não é nenhuma solução, pelo contrário, a solução passa por uma maior autonomia da EMEF, libertando-a do controlo paralisante da CP, e, por conta, das Finanças.
Dizem os defensores da integração que é a posição do TdC que obriga à decisão. Tal, não é verdade. O TdC foi obrigado a marcar uma posição, porque anda a ser "toureado" há, pelo menos, 3 anos, e exige, agora, uma solução definitiva.

O que a EMEF necessita, não é de regressar à CP, é de encontrar parceiros, públicos ou privados, que a tornem gestionariamente autónoma, que lhe permita recrutar trabalhadores especializados, o seu maior e mais grave problema. Só assim poderá reparar, a tempo e horas, os comboios da CP e de outros Clientes. Resolver o problema da CP, não passa por integrar a EMEF, passa sim por ter os comboios necessários para a circulação, do dia a dia, para que as supressões seja excepções e não a normalidade. Passa por ter uma EMEF capaz de trabalhar e não moribunda.

Francisco Fortunato
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